Ilustrando Petrarca

Petrarca

Não foi por qualquer coisa como o Guiness que resolvi testar minha capacidade de improvisar, de Francisco quando pedi ao editor Plínio Martins Filho para desenhar sobre os originais da tradução do Cancioneiro Petrarca. Este trabalho, soube há pouco, resultou em mais de 700 ilustrações, feitas alla prima.  Não sei (e realmente não interessa) se alguém fez tantas ilustrações para um único livro, diretamente sobre as provas da obra. Claro, havia o acordo tácito de que, se qualquer desenho não saísse a contento, eu o substituiria por uma ilustração à parte: fazer desenhos sobre as provas de uma publicação é, penso eu, algo mais ou menos inédito. Conclui, no entanto, não ter sido necessário apor qualquer “correção”. Digamos que, a meu critério, tudo saiu comme il faut.

A contento?

Nem tanto, talvez – poderão afirmar alguns; e serei, então, persuadido a reconsiderar meu juízo, assim como o editor que aceitou o que eu fiz, sem restrições. Na verdade, trabalhei durante uns dois meses: eu e meu pincel, com as cerdas devidamente amarfanhadas. Era a única maneira de fazer as ilustrações com um caráter de impromptu, como as definiu uma colega. Não é por imodéstia, portanto, que me arrisquei ao exame dos leitores críticos e aos críticos leitores. Petrarca, o grande, o excelso Petrarca, certamente não mereceria esse tipo de façanha, se fosse apenas isso – façanha. E não a arte de improvisar como uma homenagem à franqueza, e à espontaneidade que o seu gênio – de Petrarca – induz, a despeito do risco inerente ao desafio.

Mas acertamo-nos, o Plínio e eu, diante da possibilidade de certas obras de arte suscitarem outras. A de José Clemente Pozenato é a segunda, depois de Petrarca do original; ficamos, sem falsa modéstia, o editor e eu, com a terceira possibilidade, a da arte sobretudo musical, do improviso.

 

 

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por Enio Squeff

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